• como descobri que ela precisa usar óculos

    Lulu e seu melhor Amigo

Esse é o primeiro de muitos assuntos que vou falar aqui no blog! Vou começar por uma pergunta que quase todos me fazem:

Como você descobriu que a Lulu precisa usar óculos?

Todo bebê nasce com a visão bem turva. Com o crescimento, a visão vai se desenvolvendo... assim como a fala, o caminhar...

Os recém-nascidos enxergam com maior facilidade objetos que ficam entre 20 e 25 cm de distância dos seus olhos. E curiosamente essa é a distância entre o rosto da mãe e do bebê quando está amamentando.

Entre três e quatro meses eles já ficam bem espertinhos, olham para objetos coloridos, brincam com os pais e reconhecem as pessoas mais próximas. No 8º mês a visão é bem melhor mas ainda não é semelhante a visão de um adulto.

“O desenvolvimento da visão é algo muito complexo e um recém-nascido precisa desenvolver a habilidade de entender e enxergar o mundo ao seu redor.”, disse o Dr. Romesh Angunawela em entrevista ao jornal britânico DailyMail.

Até 6 meses é comum que o bebê fique estrábico esporadicamente, principalmente quando tenta fixar o olhar em algum objeto. E nessas horas os pais ficam super preocupados. A Lulu tinha esse probleminha quando ela tentava focar em objetos bem próximos. Eu logo tirava a atenção dela e tentava fazer ela olhar para outro lugar.

Aos 7 meses tivemos uma consulta no pediatra e ele disse que poderia ser um "Pseudo-estrabismo". Isso significa que a embora a criança aparente ser portadora de um estrabismo (normalmente convergente), de fato tem os olhos bem alinhados. Esta falsa aparência de estrabismo é provocada pela visualização de menor porção de esclera (a parte branca do olho) na metade nasal do que o esperado.

Mas mesmo assim eu pedi a indicação de um oftalmologista. Queria descartar a possibilidade dela ter algum problema nos olhinhos. Marquei uma consulta com a Dra. Andrea Zin, que atende no IBOL de Botafogo. Como meu marido estava trabalhando, não pode ir. Fomos nós duas!

A Dra. Andrea me atendeu e com pouco menos de 10 minutos de conversa, me disse:  "Realmente ela está desviando o olhinho". Nesse momento parecia que o mundo tinha desabado. Tadinha da minha pequena… não estava conseguindo enxergar direito. Quase chorei ali sentada na cadeira. Naquele momento senti uma forte dor no meu coração, e pensei que tinha que ser forte.

[Chorei depois em casa… inúmeras vezes até me conformar e ver que o que ela tem, é muito mais simples… existem outros problemas muito mais sérios que as pessoas superam].

A Dra. Andrea foi super carinhosa e me explicou tudo com os mínimos detalhes. Até desenhou para eu entender melhor!

Próximo passo foi pingar um colírio (que deve arder muito) e esperar 30 minutos para a pupila dilatar. A Lulu chorou bastante… e eu segurei firme a mãozinha dela. Depois de observar e fazer alguns exames a Dra. Andrea diagnosticou 2,5 graus de hipermetropia e estrabismo esotrópico intermitente (que é quando o olho desvia para dentro; e isso ocorre ocasionalmente).

[Na 2a consulta com a Dra. Andrea ela repetiu o exame e notou que o grau era de 2,75. Isso não quer dizer que aumentou. Pode ser que a pupila tenha relaxado mais e ela conseguiu observar melhor. Na 3a consulta o grau se manteve em 2,75].

O principal objetivo do tratamento é preservar a visão, colocar os olhos de forma paralela e desenvolver a visão binocular. No olho humano, existem seis pares de músculos extra-oculares, presos do lado de fora de cada globo ocular e que controlam os movimentos. Para termos os olhos alinhados e focalizados num ponto, todos os músculos oculares devem estar num equilíbrio perfeito de forças. Quando os músculos oculares não trabalham em conjunto ocorre um desvio ocular ou estrabismo. E é um desses músculos que não funcionam direitinho na Lulu, mas pode ser que com o crescimento dela esse músculo tenha uma evolução. Por isso, no caso da Lulu, uma cirurgia precoce para alinhar o olho pode ser precipitada [Mas existem situações que a cirurgia é aconselhada logo no início. Isso só o médico poderá avaliar].

Mas o estrabismo vai além da estética. Se não tratar o "olho preguiçoso" a criança pode não desenvolver a visão. O cérebro para de receber as mensagens do olho que está com o desvio. E consequentemente esse olho faz cada vez menos esforço para "trabalhar". Por isso é importante observar e diagnosticar o mais cedo possível para ter um tratamento adequado.

Para a Lulu o tratamento inicial é usar óculos para ver se o desvio minimiza ou some completamente. Se ela não tivesse nenhum grau, o caminho seria uma cirurgia. Mas tendo esse pequeno grau o óculos é a primeira opção e mais para frente, se necessário, uma oclusão com tampão. Pelo menos na primeira década de vida ela terá que usar o óculos.

[Fui em outros 2 especialistas para escutar outras opiniões. Uma médica foi super grossa comigo e nunca mais volto lá. Disse que a Lulu precisaria operar imediatamente, antes de completar 1 ano de idade. E receitou o oclusão. Ela não teve muita paciência para me explicar e não deixou que a babá da Lulu, que estava me acompanhando, entrasse comigo na consulta. Peguei birra! O outro médico foi super paciente e deu o mesmo diagnóstico que a Dra. Andrea. Por fim, escolhi continuar o tratamento e acompanhamento com a Dra. Andrea pelo atendimento nota 1000 ].

Escolhendo um óculos:

No mesmo dia fui com ela em uma loja especializada em bebês e crianças: Ana Paula Ótica.

Existem várias marcas e modelos. Experimentamos alguns... o mais famoso entre os bebês é o Miraflex. São bem resistentes mas o Active Spring foi o que mais encaixou no rostinho dela, e é o que ela usa desde os 7 meses e meio.

Já troquei a lente 3 vezes! Quem conhece a Lulu sabe que ela é ligada no 220V. Não para um minuto!!! Então a lente sempre acaba arranhando. E a haste do óculos já quebrou 2 vezes. Tentei colar com super-bonder e claro, não deu certo. Antigamente a haste tinha uma "molinha" de plástico que ajudava a ficar preso no rosto. Mas a empresa que faz o óculos parou de fazer esse modelo, pois disseram que alguns bebês colocavam essa peça na boca e poderiam engasgar. Atualmente o óculos dela não tem nenhuma pecinha e ela está se dando super bem.

Outra pergunta que me fazem: Ela não tira o óculos?

Tira. Claro, é uma bebê!

No início ela tirava o óculos direto. Ela esbarrava a mãozinha e sentia uma coisa estranha... ai tirava o óculos para ver o que era. E quando isso acontecia, sempre tentávamos chamar atenção para algum brinquedo. Assim ela se distraía e tirava o foco do óculos.

Sempre que ela tira, conversamos e explicamos que era para o ela enxergar melhor. Hoje em dia ela tira muito pouco. Normalmente, porque sabe que a gente vai atrás para colocar o óculos no rostinho dela. Quer brincar de pique-pega! Sai correndo e rindo o com o óculos na mão.

Essa semana ela tirou o óculos e conseguiu colocar no rosto sozinha. Ainda bateu palminha! Mas não é bom comemorar muito porque ela acha divertido e fica repetindo esse 'tira-coloca' algumas vezes...

Curioso que depois que a Lulu passou a usar o óculos, muitas pessoas vieram falar comigo. Ouvi diversas histórias: de que eram estrábicos quando criança, que uma pessoa na família tinha passado pela mesma situação, ou até mesmo que o filho usou óculos quando era bebê e que o tratamento foi tão eficaz, que hoje com 12 anos nem precisa mais usar o óculos.

 

E e óculos da Lulu se tornou marca registrada! Acostumei tante vê-la de óculos, que é estranho quando ela está sem... É o charme dela (tirando esses olhinhos cinzas)! <3   Seu filho também usa óculos? Conte aqui a sua história! Como você descobriu?

Quem tiver alguma dúvida e quiser me mandar email, fique a vontade! :)

Espero estar ajudando alguns pais e crianças!!!

Assista o vídeo da primeira vez que eu coloquei o óculos na Lulu!!!

Referências:

Dra. Andrea Zin
é responsável pelo setor de oftalmopediatria. É ainda pesquisadora do Departamento de Neonatologia, do Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz. É coordenadora do Comitê de Cegueira Infantil da Agência Internacional de Prevenção de Cegueira América Latina.

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Oftalmologia; Membro Titular do Conselho Brasileiro de Oftalmologia; Membro Internacional da Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica; Membro Titular da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica; Membro da Associação Médica Brasileira; Membro Titular do Centro Brasileiro de Estrabismo; e Membro Titular da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Sites
https://www.trocandofraldas.com.br/desenvolvimento-da-visao-do-bebe/
http://oftalmologia-pediatrica.eu/pagina,131,153.aspx
http://oestrabismo.com/estrabismo-intermitente/

5 thoughts on “Lulu e seu melhor Amigo”

  1. Lulu mimosa! Os óculos te deixaram ainda mais linda! Uma verdadeira boneca. Adorei o texto, Bruna!
    Parabéns.
    Beijos da Tia Lelé

  2. Amei sua história Bru!!! Adorei saber mais um pouquinho da vida da Lulu! O vídeo tá um barato! Keep posting! S2

  3. Bru!!! to amando seu blog! O Thomas usou óculos também quando criança desde bem pequenino pelo mesmo problema. Qualquer hora vou te mostrar fotos. Era uma fofura!!! E me derreto com a Lulu e esses oclinhos… e se identifcando com o tio Thomas pq ele usa óculos tambem! kkk coisa mais linda!!!

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